Alberto Germano
Um registro de passagem

O que eu fiz com o tempo que me foi dado

Sou Alberto Germano. Trabalho desde os dezessete anos. Fui analista de sistemas antes de ser advogado, e essa ordem explica quase tudo o que vim a fazer depois: aprendi a ler o problema inteiro antes de escrever a primeira linha. Esta página não é um currículo. É a tentativa de deixar, em um só lugar, o que construí, as causas que abracei e as pessoas por quem tudo isso valeu a pena.

Alberto Germano, retrato em terno cinza
São Paulo, 2026

Por que este site existe

Um homem tem o direito de escolher o que sobra dele.

Passei a vida escrevendo para tribunais, e tribunais guardam tudo, menos a pessoa. Sobram autos, sentenças, prazos vencidos e vencidos de novo. Não sobra o motivo. Este site é o lugar do motivo.

Aqui eu deixo, em primeira pessoa, o que fiz com o tempo que me foi dado: o trabalho, que ocupou a maior parte dele; as causas, que deram sentido ao trabalho; a família, que deu sentido a tudo; e a escrita, que é o modo como tento entender o resto. Não há aqui oferta de serviço nem promessa de nada. Quem precisa de um advogado encontra o escritório em outro endereço. Quem precisa de um caminho para conseguir um tratamento encontra o SOS Paciente logo abaixo. Quem quiser apenas saber quem eu fui, pode ficar.

A doença tem duas frentes: a clínica, que é do médico, e a do acesso, que alguém precisa ocupar. Eu ocupei a do acesso e nunca mais saí.

Responsabilidade social

Vinte e dois anos ao lado de quem recebeu o diagnóstico errado na hora errada.

Em 2004, o pai da minha então esposa recebeu o diagnóstico de mieloma múltiplo. O remédio que ele precisava existia no mundo e não existia no Brasil. Foi ali que descobri a segunda frente da doença, a do acesso, e foi ali que entrei como voluntário na International Myeloma Foundation Latin America, a IMF LA. Nunca saí. Desde então atuo, sem remuneração, em ações de pacientes com mieloma, em pedidos de home care, em casos de diabetes e de autismo, contra o SUS e contra os planos de saúde, e falo sobre isso onde me chamam: associações, podcasts, salas de aula.

SOS Paciente

Nasceu em 2007 como site e voltou em 2026 como gesto de responsabilidade social: o caminho, passo a passo, para quem precisa de um tratamento que o SUS ou o plano negou. Roteiro para pedir o relatório ao médico, modelos prontos, documentos, direitos e onde buscar ajuda. Sem custo, sem cadastro, sem vínculo com o escritório.

Abrir o SOS Paciente
IMF LA, International Myeloma Foundation Latin America

Voluntário desde 2004 na área de direito à saúde. Participação recorrente no MielomaCast, o podcast da fundação, sobre direitos do paciente.

Defensor dativo, OAB/SP

Defesa, sem remuneração, de advogados que respondem a processo no Tribunal de Ética e Disciplina e não têm quem os defenda.

Docência

Professor universitário e instrutor de pós-graduação em compliance empresarial. Ensinar é a forma mais barata de devolver o que se aprendeu.

Academia Brasileira de Artes e Ciências

Acadêmico, cadeira nº 2, vice-presidente consultivo para a área jurídica.

Em 2015 recebi a Medalha Dom João VI, concedida pela 2ª Circunscrição da Justiça Militar da União nos duzentos anos da Justiça Militar no Brasil, e pela Cavalaria da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Guardo com o cuidado de quem sabe que medalha se recebe pelo que os outros viram, não pelo que a gente acha que fez.

Trinta e cinco anos de trabalho, em uma página

Sistemas, estatística, direito, empresas em crise, arbitragem. Uma coisa levou à outra.

Não cheguei ao direito pela porta da frente. Cheguei pela sala de máquinas: análise de sistemas na IBM, estatística na Escola Nacional de Ciências Estatísticas, gestão financeira na FGV. Quando finalmente fui estudar direito, já sabia ler um balanço, um fluxo e um sistema que estava prestes a quebrar. Essa formação torta virou método: diagnóstico antes da ação, prevenção antes do Judiciário, e o Judiciário como último recurso, não o primeiro.

  • 1989
    Director Consultoria

    Nasce a consultoria que até hoje é a raiz de tudo: análise de sistemas e reestruturação de empresas. Eu tinha começado a trabalhar aos dezessete.

  • 1993 a 1995
    IBM Brasil e FGV

    Especialização em análise de sistemas e gerência de projetos; depois, gestão financeira empresarial.

  • 2007 a 2009
    Advocacia e especializações

    Direito penal e processual penal, direito empresarial, ambos pela Escola Paulista de Direito. Em 2007, o primeiro SOS Paciente vai ao ar e o escritório ganha endereço na internet.

  • 2019
    Administrador judicial

    Especialização pela TMA Brasil. Passo a conduzir recuperações judiciais e falências, do outro lado da mesa em que sempre sentei como advogado.

  • 2026
    Árbitro e mediador

    Formação de árbitro internacional e de conciliador e mediador judicial pelo TASP. Mestrado em gestão governamental e políticas públicas de saúde, pela Universidade Lusófona, em andamento.

  • Hoje
    Alberto Germano Sociedade de Advogados

    Contencioso complexo, reestruturação, defesa criminal estratégica e conflitos societários. O escritório tem site próprio: agconsult.adv.br.

OAB/SP 260.898

Advogado, membro da AASP.

Capitão amador

Habilitado desde 2007. O mar ensina a mesma coisa que o direito: quem não planeja a rota descobre o problema tarde demais.

Instrutor de armamento e tiro

Desde 2022. Disciplina, responsabilidade e respeito por aquilo que não admite erro.

As pessoas por quem tudo isso valeu

Aqui não há nomes. Há gratidão.

Sou casado e sou pai. Esta é a parte do site que eu mais quis escrever e a que menos consigo. Tudo o que está nas outras seções foi feito com horas que pertenciam a outras pessoas, e elas cederam essas horas sem que eu tivesse o direito de pedir. Uma causa como a do direito à saúde nasceu dentro de uma família, a da minha primeira esposa, a quem devo gratidão e também um pedido de perdão pelo preço que a luta cobrou de quem estava ao lado. A família que tenho hoje é a razão de eu ainda querer construir alguma coisa.

Os nomes ficam com quem os carrega. As fotos, quando vierem, serão as que eles escolherem.

O que eu tento entender escrevendo

Dois livros, um pronto e um em curso.

Diário de um Padrasto Invisível

Livro concluído. Sobre o lugar de quem cria filhos que não gerou e aprende, aos poucos, que invisibilidade e amor não se excluem.

Eu Sou Eu, o Outro é o Outro: Lucidez Moral

Em andamento. Um livro de linha espírita sobre causa e efeito, livre-arbítrio e o Deus que se procura dentro, escrito em capítulos que alternam devoção, ensaio e reflexão.

Os interesses que alimentam os livros são os mesmos que alimentam o trabalho: filosofia, comportamento humano, estratégia, tecnologia e inteligência artificial, que hoje escreve comigo boa parte do que produzo, inclusive esta página, revista palavra por palavra por mim.

No que eu acredito

Não para convencer ninguém. Para que ninguém precise adivinhar.

Convicção não é opinião: opinião muda com o jornal do dia, convicção custa alguma coisa para quem a carrega. As minhas são poucas e conhecidas de quem convive comigo. Duas são simples de dizer. Sou a favor da vida, em todas as suas fases e em todas as suas formas; é a raiz da causa que abracei há vinte e dois anos. E não fumo: nunca fumei e não pretendo começar, porque quem passa anos vendo o que a doença faz com uma família aprende a não convidar a doença para dentro de casa.

As outras, alguém que me conhece bem escreveu sobre mim antes que eu mesmo conseguisse escrever. Li, reconheci e adotei. Deixo-as aqui porque um homem deve ser cobrado pelo que disse, e não pelo que os outros imaginam que ele pensa.

  1. A verdade é preferível ao conforto. Tolero melhor uma resposta desagradável do que uma resposta falsa, aduladora ou conveniente.
  2. Responsabilidade não é a mesma coisa que culpa. Separo o que alguém causou do que apenas lhe aconteceu, e prefiro reparação, esclarecimento e justiça a punição moral simplista.
  3. Livre-arbítrio e liberdade de consciência são valores centrais. Na espiritualidade e na vida prática, desconfio de tudo o que manipula: religião de manada, influência disfarçada, tecnologia que decide por mim.
  4. Fé sem razão vira superstição; razão sem dimensão moral fica incompleta. Minha espiritualidade não é literalista. Tento conciliar experiência espiritual, pensamento crítico e responsabilidade ética.
  5. Evoluir exige reparação, não apenas arrependimento. Reconhecer o erro é insuficiente. Quando possível, é preciso corrigir o dano, mudar a conduta e produzir algo melhor depois.
  6. Discrição vale mais do que ostentação. Respeito o trabalho silencioso, o dever cumprido, a prudência, a disciplina e o resultado que não precisa ser anunciado o tempo inteiro.
  7. Excelência técnica é uma forma de respeito. No Direito, rejeito improviso, superficialidade, jurisprudência inventada, linguagem vazia e estratégia mal testada. Fazer bem feito não é preciosismo; é obrigação profissional.
  8. Lealdade é estrutural. Confiança, confidencialidade, palavra dada e ausência de traição são elementos de caráter, não conveniência social.
  9. O ótimo não pode impedir o necessário. Gosto de profundidade, mas quando algo já cumpre bem a sua função é preciso decidir, concluir e seguir para o próximo incêndio.
  10. A vida boa é construída, não recebida pronta. Identidade não é só "quem sou"; é também "quem estou tentando me tornar". Dei a isso um nome, Projeto AG60: cuidar mais de mim a partir de agora e chegar à velhice funcional, de pé e com a cabeça no lugar. Vale para a saúde, a profissão, a fé e a reforma interior.
  11. Crítica verdadeira é uma forma de lealdade. Quem apenas concorda comigo não está necessariamente do meu lado. Quem aponta onde a tese quebra, onde o comportamento se sabota ou onde a convicção se contradiz pode estar sendo muito mais útil.
Viver com liberdade, responsabilidade, lealdade, consciência e método, sem abrir mão da verdade nem da possibilidade de melhorar.

Quando eu desencarnar

Instruções práticas, para que ninguém precise decidir por mim num dia difícil.

Quem acredita que a vida continua não tem motivo para fugir deste assunto. Deixo aqui, em público, o que quero que seja feito, porque a lei brasileira ainda pede à família que confirme a vontade do morto, e a família só confirma o que conhece.

Sou doador de órgãos

Tudo o que puder servir a outra pessoa deve ser doado. No Brasil a doação depende da autorização da família (Lei 9.434/97, art. 4º), por isso esta declaração existe: quem me ama já sabe o que eu quero, e está dispensado de hesitar.

Quero ser cremado

Sem velório longo, sem gasto desnecessário. A lei exige manifestação de vontade do falecido para a cremação (Lei 6.015/73, art. 77, § 2º); esta é a minha, e será repetida em documento próprio.

O que deve continuar

O SOS Paciente fica no ar e pode ser mantido, copiado e melhorado por qualquer pessoa ou associação que queira. O conteúdo é livre para esse fim.

O resto, o que se guarda e o que se joga fora, quem fica decide. Peço só uma coisa: que se lembrem de mim pelo que tentei fazer, e não pelo que consegui.

Alguns registros

A galeria cresce devagar, como deve ser.

Onde me encontrar

Para conversar, e não para contratar. Para isso há o escritório.